Disbiose Intestinal e Doenças Emocionais: Evidências do Eixo Intestino–Cérebro

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Autor: Luiz Simarro

Data: 29/12/2025

Resumo

A disbiose intestinal — um desequilíbrio quantitativo e qualitativo da microbiota gastrointestinal — tem sido implicada na fisiopatologia de transtornos emocionais, incluindo ansiedade, depressão e irritabilidade. Compreender essa relação é crucial para a implementação de estratégias terapêuticas integrativas que atuem além dos tratamentos convencionais, abordando o eixo intestino–cérebro por meio de mecanismos neuro imunológicos, metabólicos e neurais.

1. Introdução

A microbiota intestinal consiste de trilhões de microrganismos que coexistem com o hospedeiro e desempenham funções fundamentais na digestão, imunidade, produção de neurotransmissores e regulação de processos inflamatórios. Alterações nesse ecossistema (disbiose) estão associadas não apenas a doenças gastrointestinais, mas também a diversos distúrbios neuropsiquiátricos. SpringerLink

2. O Eixo Intestino–Cérebro

O eixo intestino–cérebro refere-se à comunicação bidirecional entre o sistema nervoso central (SNC) e o trato gastrointestinal, mediada por:

  • Sinalização neural — especialmente pelo nervo vago
  • Via imunológica — citocinas pró-inflamatórias produzidas no intestino podem alcançar o cérebro
  • Metabólitos microbianos — como ácidos graxos de cadeia curta (SCFAs)
  • Produção de neurotransmissores — incluindo serotonina e GABA produzidos no intestino SpringerLink

Assim, distúrbios no microbioma podem alterar funções cerebrais essenciais para o humor e o comportamento.

3. Evidências Clínicas e Microbiológicas

3.1 Depressão e Ansiedade

Estudos clínicos mostram padrões recorrentes em pacientes com ansiedade e depressão:

  • Enriquecimento de bactérias pró-inflamatórias
  • Depleção de bactérias produtoras de SCFAs anti-inflamatórios
    Ex.: menor abundância de Faecalibacterium, Lachnospira e maior abundância de Bacteroidetes e Enterobacteriaceae em indivíduos com ansiedade. SpringerLink

Esses achados sugerem um perfil microbiano que favorece respostas inflamatórias sistêmicas, influenciando negativamente o cérebro.

4. Mecanismos de Ação Propostos

4.1 Produção de Neurotransmissores

Cerca de 90% da serotonina do corpo é sintetizada no intestino. Disfunções microbianas podem reduzir a disponibilidade de precursores chave como o triptofano, afetando a síntese de serotonina e a regulação do humor. Revistas FIB Bauru

4.2 Neuroinflamação

A disbiose pode aumentar a permeabilidade intestinal (“leaky gut”), permitindo a translocação de lipopolissacarídeos (LPS) e outras toxinas que ativam respostas imunes sistêmicas e neuroinflamação — um processo intimamente ligado à depressão e ansiedade. Revista São José

4.3 Ativação do Eixo Hipotálamo-Hipófise-Adrenal (HPA)

Alterações microbianas crônicas podem levar à ativação persistente do eixo HPA, resultando em elevadas concentrações de cortisol, o que está associado a sintomas de estresse, ansiedade e depressão.

5. Intervenções Terapêuticas e Biomarcadores

5.1 Probióticos e Psicobióticos

Alguns ensaios clínicos demonstraram que probióticos específicos podem modular a microbiota e reduzir sintomas de ansiedade e depressão, embora resultados ainda variem por cepa e população estudada. Revista JRG

5.2 Dieta e Estilo de Vida

A dieta exerce papel fundamental na composição microbiana. Dietas ricas em fibras, prebióticos e alimentos fermentados podem promover eubiose, enquanto alimentos ultraprocessados favorecem a disbiose. Revista FT

5.3 Biomarcadores

Perfis microbianos alterados (ex.: redução de Ruminococcaceae e Faecalibacterium) e níveis elevados de marcadores inflamatórios podem servir como potenciais biomarcadores para transtornos emocionais associados à disbiose. SpringerLink

6. Discussão

Embora haja consenso crescente sobre a ligação entre disbiose e doenças emocionais, desafios permanecem:

  • Heterogeneidade entre estudos
  • Falta de perfis microbiológicos padronizados
  • Necessidade de ensaios clínicos de longo prazo

Essas limitações sugerem que a disbiose provavelmente atua como um cofator em transtornos emocionais, interatuando com fatores genéticos, ambientais e psicossociais. Recima21

7. Conclusão

Evidências atuais suportam a hipótese de que a disbiose intestinal está associada ao desenvolvimento e manutenção de transtornos emocionais, incluindo ansiedade e depressão, principalmente por meio de mecanismos neuroimunes e metabólicos do eixo intestino–cérebro. Intervenções que visem restaurar o equilíbrio microbiano poderão emergir como coadjuvantes valiosos no tratamento integrativo desses transtornos.

Referências Selecionadas

  1. Gondo F. F. et al. Eixo cérebro–intestino e correlação com depressão: revisão de literatura. Revista Conexão Saúde. 2021. Revistas FIB Bauru
  2. Gut microbiota variations in depression and anxiety: a systematic review. BMC Psychiatry. 2025. SpringerLink
  3. Carvalho C. et al. A inter-relação dos distúrbios da microbiota intestinal e transtornos de ansiedade e depressão: revisão. Revista FT
  4. Microbiota intestinal, inflamação e saúde mental: revisão das evidências científicas. Ciência Atual. Revista São José
  5. Costa D. G. et al. Eixo intestino-cérebro e transtornos psicológicos: revisão sobre probióticos e prebióticos. Revista JRG
  6. Depressão e disbiose: evidências científicas. RECIMA21. Recima21